segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Algo sempre falta

Nossa eterna insatisfação nos leva aonde exatamente? Casados reclamam porque a aliança pesa; namorados, porque não vêem mais os amigos; solteiros, porque não têm de quem receber o último telefonema do dia. Jovens são revoltados por não poderem fazer nada do que querem; velhos, por não conseguirem. Chefes se estressam porque vivem sob pressão e subordinados vivem estressados por causa dos chefes. Nunca estamos satisfeitos. Por mais azul que o céu esteja, sempre achamos - lááá longe - uma nuvem que virá, sabemos que virá, e cobrirá o nosso sol. E, mesmo sob 40 graus, passamos a sentir frio. "Nada mais insuportável do que muitos dias de felicidade contínua" (Oscar Wilde). É bizarro mas real. Não suportamos a felicidade por muito tempo. A ridícula verdade é que não sabemos lidar com a alegria - a praia eternamente ensolarada vira um tédio. E então avistamos (ou criamos, não importa) a nuvem. Li, não lembro onde, que "a vida nos pareceria subitamente maravilhosa se estivéssemos ameaçados de morrer - então declararíamos nosso amor, viajaríamos à Índia, realizaríamos nossos sonhos. E caso o cataclismo não acontecesse, voltaríamos ao cotidiano, no qual a negligência supera o desejo" (preste atenção nisso, sempre). Nossa eterna insatisfação, em vez de servir de impulso para nos levar a algum lugar melhor, vira uma âncora, agravando a sensação de impotência, nos entregando à inércia. Então sucumbimos à preguiça. Passamos a achar que o normal é estarmos "meia-boca". E daí, quando alguém aparece sorrindo além do previsto por lei, surtamos. Por que ele ri e nós não? Por que tantos dentes? Cadê a graça? Viu passarinho verde? Quando alguém parece estar contente (e está), nossa primeira reação é nos compadecermos pela ingenuidade da criatura sorridente, como se estupidez fosse premissa pra felicidade, e gentileza, atributo de lobotomizados ou doentes mentais. Não vejo nada errado em nunca estarmos satisfeitos. O problema reside em ficarmos nos culpando por nunca estarmos completamente felizes ou acharmos poético arrastar as meias pela casa. O fato é que "algo sempre nos falta - o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Para seu próprio bem, guarde esse recado: "alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo" (Caio F.) Daí, sim, poderemos ser felizes. No início, quando der. E um dia, quem sabe, a maior parte do tempo.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

"Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram." Carlos D.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Já era

Nunca sabemos ao certo quando deixamos de ser importantes. É triste perceber que quem tanto me importa não olha por mim, apenas me vê. Não altera em nada sua lista de prioridades quando preciso de socorro, atenção. Apenas (depois, sempre depois) desculpa-se. Diz que as coisas estão complicadas. Está constantemente ocupado, atrapalhado. Sempre se sai com ótimos motivos para não ter ido, feito, acompanhado. Conhece meus gostos, minhas neuras, o porquê do riso rasgado. Sabe o número do meu telefone, onde vivo, mas mora num outro universo, do qual não tenho o endereço, nem pertenço: é péssimo notar que sou pouco para quem é muito pra mim. E não se trata de desdém, nem de rancor. É mais sutil e menos óbvio, por isso tão doído. Pode até me surpreender com telefonemas, e-mails, conversas à toa, mas não está presente nos momentos críticos da minha vida. Torna-se incomunicável. Sei que aquela pessoa, tal qual a recordo, existiu, só não sei em que ponto deixou de ser real para se tornar um holograma da minha mente. Uma suspeita de surto: será que me enganei desse jeito? Talvez não tenha me enganado, apenas o tempo nos tenha tornado diferentes demais e já não andemos na mesma direção. Talvez. A vida acaba nos trazendo, inevitavelmente, amigos assim (que chamamos "amigos" por desconhecimento de termo mais adequado). Amores assim. Pessoas que estiveram conosco, compartilharam e construíram nossa história, mas que, sabe-se lá quando e por que, descompassaram. Alguns até continuam presentes, mas jamais estiveram tão ausentes. Outros fazem questão de dizer o quanto somos importantes, especiais, e eis um alerta que não ignoro: sempre desconfiei de quem fala "Você pode contar comigo", "Qualquer coisa, me liga", "Nunca vou te esquecer". Isso se mostra calmamente, no dia-a-dia, não se legaliza numa promessa. É preciso tempo, e é só com ele que saberei se essas palavras significam algo ou são mera formalidade. Me mostre que eu posso contar com você, não me diga isso. Talvez percamos o sentido de existir na vida de algumas pessoas, por mais importantes que tenhamos sido (ou que supomos ter sido). Nossa permanência torna-se oca de significado. Desbota. Gradualmente, sumimos. E não há nada de errado nisso. De triste, sim (todo fim é triste), mas não de errado: não dá para exigir ser amado. Errado é mantermos à nossa volta, atrelados a nós por compulsão ou necessidade de companhia, quem não tem mais nada a nos oferecer. Para quem oferecemos tão pouco. Quantos sinais são necessários até compreendermos que já não nos importamos com alguém?

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

- Quando você fala me lembra o mar...
- Nossa, não imaginava que te impressionava tanto.
- Não me impressiona, é que me enjôa er.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Miojo do amor e da ansiedade

Se uma das broncas clássicas e recentes das mulheres era o tal do telefonema do dia seguinte, na última década degringolou geral. Agora é o scrap da meia hora depois, o emotion simultâneo, o post à tira roupa, o torpedo do minuto seguinte. A dona Maria da ansiedade, essa maluca arrepiada que nos acompanha o dia inteiro e ainda dorme ao nosso lado - quando nos deixa dormir direito, claro - ganhou uma velocidade que mais parece filme de ficção científica. Coitado do Sr. Graham Bell, o inventor do telefone, que ainda no século 19 achava que iria deixar todo mundo pirado e inquieto com o seu brinquedinho. Mal sabia o ritmo que ganharia nossa inquietação, com a vingança do mundo em sua versão mais nerd. Eis uma das lições da década. E quando junta essa ansiedade a mil com a paixão, que naturalmente já é um sentimento de emergência que só anda de ambulância - e na contramão - é aí que fodi com tudo. É, amiga, sem falar na velocidade do sexo virtual, que também entra no pacote de grandes lições da banda larga. Em cinco minutos a coisa ferve, cheira, sai fumaça, e você mata a fome em uma espécie de miojo sentimental digno e sintomático dos nossos tempos e vontades instantâneas. Para os rapazes, então, mestres antigos na arte do gozo precoce e da falta de atenção, mal levanta a fervura e já era, partem pra próxima emoção express. O melhor de tudo é que nós garotas espertas, viramos o jogo contra o machismo, outra lição recente da história, e aprendemos a deixar esses marmamjos literalmente na mão.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Minha mãe insiste em me dizer que "Querer é poder" eu digo que não, mas tem aquela coisa... mãe sempre tem razão. Então... quero que em 2010 eu continue trabalhando e se for pra sair de lá que seja para algo melhor. Que eu siga pra faculdade e comece o curso de Francês logo. Que as coisas fluam pra melhor na minha casa, quero um ano sem brigas e desentendimentos. Quero um ano leve. Que se talvez, por um acaso, o tal do amor resolver bater na minha porta... que ele seja gentil, delicado, carinhoso e bonito ao meu gosto.Que eu possa dizer "sim" pra mim mesma. Que eu não sinta saudade dos que estão longe, porque saudade dói muito. Enfim como diz Caio F. "que seja doce".