quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Miojo do amor e da ansiedade

Se uma das broncas clássicas e recentes das mulheres era o tal do telefonema do dia seguinte, na última década degringolou geral. Agora é o scrap da meia hora depois, o emotion simultâneo, o post à tira roupa, o torpedo do minuto seguinte. A dona Maria da ansiedade, essa maluca arrepiada que nos acompanha o dia inteiro e ainda dorme ao nosso lado - quando nos deixa dormir direito, claro - ganhou uma velocidade que mais parece filme de ficção científica. Coitado do Sr. Graham Bell, o inventor do telefone, que ainda no século 19 achava que iria deixar todo mundo pirado e inquieto com o seu brinquedinho. Mal sabia o ritmo que ganharia nossa inquietação, com a vingança do mundo em sua versão mais nerd. Eis uma das lições da década. E quando junta essa ansiedade a mil com a paixão, que naturalmente já é um sentimento de emergência que só anda de ambulância - e na contramão - é aí que fodi com tudo. É, amiga, sem falar na velocidade do sexo virtual, que também entra no pacote de grandes lições da banda larga. Em cinco minutos a coisa ferve, cheira, sai fumaça, e você mata a fome em uma espécie de miojo sentimental digno e sintomático dos nossos tempos e vontades instantâneas. Para os rapazes, então, mestres antigos na arte do gozo precoce e da falta de atenção, mal levanta a fervura e já era, partem pra próxima emoção express. O melhor de tudo é que nós garotas espertas, viramos o jogo contra o machismo, outra lição recente da história, e aprendemos a deixar esses marmamjos literalmente na mão.

Um comentário:

  1. ''O melhor de tudo é que nós garotas espertas, viramos o jogo contra o machismo.''exatamente isso!

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