segunda-feira, 8 de março de 2010

Não faça o que eu mando

Tenha coragem de fazer o que quer. Livre-arbítrio. Estou para conhecer algo que seja mais importante que isso. Alegria, tranqüilidade e felicidade são ótimas companheiras, mas se resumem a um amontoado de sensações fugazes se não forem permeadas pelo livre-arbítrio - nenhuma imposição externa dura muito, sequer ceder a elas surte algo de positivo. Por mais que tentem nos dissuadir da idéia, a verdade é que fazemos de nossas vidas o que queremos e não o que é "certo", porque "certo" não existe. Muitas vezes, diante de uma decisão, me pego preocupada em não magoar ninguém, em ser justa. O que geralmente acontece quando você ouve "A última coisa que eu quero no mundo é te magoar"? Toma uma bem dada, provavelmente. É isso que ocorre quando violentamos nossa natureza e agimos baseados no padrão moral imposto pelos outros, quando tentamos ser corretos: a longo ou curto prazo, magoamos todo mundo. A preocupação em ser legal perante os olhos alheios nos faz cometer mais sacanagens do que a vontade assumida de agir como um grande fdp: enquanto a segunda é explícita, a primeira vem fantasiada de boas intenções, de preocupação solidária. Mas nem o maior dos nossos esforços logra o que realmente se passa em nós; o inconsciente nos trai quando menos esperamos: numa frase áspera, numa olhada torta. E então todo o esforço em construir (e acreditar) uma imagem benévola vai para o ralo, e propagamos nosso desagrado em progressão geométrica - nada pior que pessoas mal comidas, falsos moralistas e covardes. Seria tudo mais simples se parássemos de ser maniqueístas e assumíssemos nossa humanidade, tomássemos consciência de que quem cospe para cima sempre acaba catarrado na testa. Não confio em pessoas boazinhas ou más demais porque já vi beatas que, fora da igreja, julgam a vida do vizinho; políticos corruptos que dão dinheiro para caridade. O mundo não está dividido em humanos vis e angelicais, em vagabundas e garotas de família, em Judas e Jesus. Se hoje você ajuda uma velhinha a atravessar a rua, amanhã xinga seu vizinho de veado. Faz parte de nós, simples assim. O que fazer com isso é outra história... posso ser, para alguns (e para mim, vez por outra), moralmente indeterminada, ter uma conduta dúbia, pregar o amor e trair. Dane-se. Só eu sei como sou, pelo que passo, o que me move. Se algum ato meu magoar alguém? Pena. Antes isso do que me fazer de idiota fingindo ser bacana e me remoer de raiva enquanto sorrio. Se algum ato meu magoar alguém e eu ficar mal por isso? Então saberei como não devo agir da próxima vez. Só quem erra compreende o acerto. "A vida é cair sete vezes e levantar oito." O ditado é chinês e, como tudo do Oriente, parece meio babaca à primeira vista (assim como comer arroz empapado, entoar mantras e honrar o mestre), mas não é. Foi assim que aprendi que preciso ser - antes de qualquer coisa - verdadeira comigo. Preciso bancar a minha felicidade mesmo que ela passe por territórios estranhos aos outros, mesmo que eles me vejam deturpada por todas as suas projeções, mesmo que eu ganhe rótulos desagradáveis, mesmo que eu sofra ou caia. Não importa, porque, por mais constrangedor e desagradável que isso seja, já aprendi a levantar.

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