quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Tristeza gostosinha

Ficar triste é ruim. Ficar feliz é bom. A gente aprendeu isso há tanto tempo que fica até meio estranho discordar. São verdades tão verdadeiras quanto dizer que chocolate é gostoso. Amo ficar alegre e acho tenso me chatear com alguma coisa. Até aí, tudo bem. Mas onde entra aquela tristeza gostosinha, que às vezes invade a gente? Se você vai terminar seu namoro, sabe que, até se sentir bem de novo, vai ter que aguentar a dor. Se você se decepcionou com alguém, depois vai acabar vendo como aprendeu com aquela situação, por mais que tenha sofrido na hora. Ninguém escapa de ficar triste às vezes e, se alguém diz que nunca fica triste com nada, esse alguém está mentindo. Ou que é bobo, mesmo. Porque como vamos crescer, mudar e amadurecer sem passar de vez em quando por aqueles momentos-bola? Chamo de momentos-bola aqueles em que agente sente que tem uma bola aqui dentro, que sobre e desce, apertando ora nossa garganta, ora nosso coração. É um saco, é triste, mas, quando passa, a gente vê como foi bom. Ou não né? Mas enfim, meu ponto aqui, é aquela tristeza gostosinha, sabe. Aquela que, de longe, se você olhar com certo distanciamento, parece até alegria. Uma vez, quando um namoro meu acabou, fiquei muito mal. Muito mesmo. Não era uma bola que tinha dentro de mim, mas o globo terrestre inteiro. Bom. Um dia, no meio dessa tristeza toda, fui preparar macarrão. E aí, pela terceira garfada, comecei a chorar. Só que no meio do choro, olhei para essa cena, como se eu estivesse olhando de fora, sabe. Como um filme. E pensei: "Credo, eu estou comendo macarrão e chorando." E acabei dando um sorrisinho. Um sorriso triste, claro, mas um sorrisinho. É isso que estou querendo dizer com tristeza gostosinha. Às vezes, vivemos tão no automático que esquecemos como somos vilneráveis à vida, E é tão legal ser vulnerável. Nessa hora, não importam aqueles quentionamentos sobre Deus, vida após a morte e coisas assim. No monento da tristeza tudo faz sentido. Porque naquele momento, nos importamos muito com alguma coisa. Nos importamos a ponto de... chorar comendo macarrão.

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