domingo, 28 de fevereiro de 2010
Se você pudesse voltar no tempo e mudar apenas uma coisa na sua vida, você mudaria? E se mudasse, será que essa mudança tornaria a sua vida melhor? Ou será que ela acabaria partindo o seu coração? Ou partindo o coração de outro? Será que você escolheria um caminho totalmente diferente? Ou você só mudaria uma única coisa? Um único momento? Um momento que você sempre quis ter de volta?
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Mais amarga, impossível
Ando irreversivelmente pensativa. Não é tristeza, não é depressão. Só uma necessidade estranha de ficar quieta e observar. Será que isso é um contato com o Eu Interior? Pode ser. E, se for, até que é bom, porque às vezes o meu Eu Exterior (e o dos outros) me enche o saco. Cansei de bundas. E de peitos. Esses humanos que só querem aparecer, então, me dão náuseas. Pra alguns - essas pessoas que vivem como se precisassem ficar cada vez mais atraentes pra não se sentirem um item encalhado na gôndola do supermercado - a embalagem é o mais importante num produto. É pelo brilho do papel que se atribui o valor da mercadoria (quem consegue negar que nos portamos como tal?). Eles se esquecem de que ninguém consome embalagens; o destino delas é o lixo. Embrulho só serve pra proteger e embelezar o que realmente importa - o conteúdo. É, ainda sou ingênua o bastante pra acreditar nessa baboseira de conteúdo. Paciência. Carnes balançantes, discursinhos ocos decorados e bíceps bem definidos não me atraem. Peitos empinados e quadris rebolantes não me fazem mover um músculo do meu corpo (como você é homem, eu compreendo se isso mover um músculo específico do seu). Devo ter nascido com alguns neurônios faltando, porque não consigo sacar a magnitude e a delícia que essas pessoas vêem em viver assim, indo, apenas indo. Sou medíocre demais pro hedonismo, talvez. Ou seja, sou careta mesmo. Caretésima. O certo é que, quando olho à minha volta, me sinto um ser transgênico: gosto de dialogar, não de monologar narcisicamente sobre o quão grandioso é meu mundinho. Eu me sinto feliz em ajudar quem gosto e não só quando faço algo que seja proveitoso pra mim. Adoro conhecer pessoas pra poder, de alguma forma, fazer parte da vida delas e não pra acrescentar nomes e sobrenomes ao meu mailing. Tenho problemas sérios, como você pode notar. Mas o mais sério deles é pensar demais. Se perdi a fé na humanidade e virei uma velha amargurada aos 19 anos? Não, isso é papel de vítima e não sou boa atriz o bastante pra interpretá-lo. Também não vou abandonar a cidade e me dedicar aos pés de alface: é uma solução covarde demais. Prefiro mudar o que consigo tocar em vez de sair correndo de medo. É pouco, mas é o que posso. Esse não é um discurso moralista, por mais que pareça. É somente uma dúvida muito particular: onde estão as pessoas do mundo? Porque bonecos articulados de plástico, eu vejo todos os dias na televisão e em festas. Mas gente, daquelas que choram, contam piada, têm medo da morte e olham pra você e não por você, eu não encontro assim tão fácil. Talvez eu esteja no supermercado errado.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite." - Clarice Lispector
Lendo essas palavras, o mais impressionante, porém, não é a ideia de que minha força possa estar na solidão, e sim que eu tenha me acostumado a procurar a minha força em toda parte, exceto na solidão. Saia de casa. Vá à festas. Ao bar. Ver gente, dizem. Não sendo possível, existem entorpecentes ao alcance da mão: a televisão solidária, o correio eletrônico em que smiley faces de óculos escuros pesam o mesmo que um parágrafo inteiro, twittar para contar como chove ou como vai a dor de cabeça. Um novo toque no novo celular com uma nova mensagem de texto. Amizades light nos sites de relacionamento. E a solidão, aquele monstro, fica ali no canto de olhos meio vidrados, se esquecendo de rosnar, a baba imobilizada no canto da boca. Mas e se minha força estiver na solidão e eu estiver, por tolice pura, confundindo heróis e vilões? Afinal, eu também sou o escuro da noite. Eu também sou o que sobra em casa depois que todo mundo saiu e o que sobra na cidade depois que todo mundo foi dormir. Eu também sou isso, o silêncio que existe de dentro para fora, como algo que se alastra, que transforma até o ruido externo numa coisa sem sentido.
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