Lendo essas palavras, o mais impressionante, porém, não é a ideia de que minha força possa estar na solidão, e sim que eu tenha me acostumado a procurar a minha força em toda parte, exceto na solidão. Saia de casa. Vá à festas. Ao bar. Ver gente, dizem. Não sendo possível, existem entorpecentes ao alcance da mão: a televisão solidária, o correio eletrônico em que smiley faces de óculos escuros pesam o mesmo que um parágrafo inteiro, twittar para contar como chove ou como vai a dor de cabeça. Um novo toque no novo celular com uma nova mensagem de texto. Amizades light nos sites de relacionamento. E a solidão, aquele monstro, fica ali no canto de olhos meio vidrados, se esquecendo de rosnar, a baba imobilizada no canto da boca. Mas e se minha força estiver na solidão e eu estiver, por tolice pura, confundindo heróis e vilões? Afinal, eu também sou o escuro da noite. Eu também sou o que sobra em casa depois que todo mundo saiu e o que sobra na cidade depois que todo mundo foi dormir. Eu também sou isso, o silêncio que existe de dentro para fora, como algo que se alastra, que transforma até o ruido externo numa coisa sem sentido.
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