segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Mais amarga, impossível

Ando irreversivelmente pensativa. Não é tristeza, não é depressão. Só uma necessidade estranha de ficar quieta e observar. Será que isso é um contato com o Eu Interior? Pode ser. E, se for, até que é bom, porque às vezes o meu Eu Exterior (e o dos outros) me enche o saco. Cansei de bundas. E de peitos. Esses humanos que só querem aparecer, então, me dão náuseas. Pra alguns - essas pessoas que vivem como se precisassem ficar cada vez mais atraentes pra não se sentirem um item encalhado na gôndola do supermercado - a embalagem é o mais importante num produto. É pelo brilho do papel que se atribui o valor da mercadoria (quem consegue negar que nos portamos como tal?). Eles se esquecem de que ninguém consome embalagens; o destino delas é o lixo. Embrulho só serve pra proteger e embelezar o que realmente importa - o conteúdo. É, ainda sou ingênua o bastante pra acreditar nessa baboseira de conteúdo. Paciência. Carnes balançantes, discursinhos ocos decorados e bíceps bem definidos não me atraem. Peitos empinados e quadris rebolantes não me fazem mover um músculo do meu corpo (como você é homem, eu compreendo se isso mover um músculo específico do seu). Devo ter nascido com alguns neurônios faltando, porque não consigo sacar a magnitude e a delícia que essas pessoas vêem em viver assim, indo, apenas indo. Sou medíocre demais pro hedonismo, talvez. Ou seja, sou careta mesmo. Caretésima. O certo é que, quando olho à minha volta, me sinto um ser transgênico: gosto de dialogar, não de monologar narcisicamente sobre o quão grandioso é meu mundinho. Eu me sinto feliz em ajudar quem gosto e não só quando faço algo que seja proveitoso pra mim. Adoro conhecer pessoas pra poder, de alguma forma, fazer parte da vida delas e não pra acrescentar nomes e sobrenomes ao meu mailing. Tenho problemas sérios, como você pode notar. Mas o mais sério deles é pensar demais. Se perdi a fé na humanidade e virei uma velha amargurada aos 19 anos? Não, isso é papel de vítima e não sou boa atriz o bastante pra interpretá-lo. Também não vou abandonar a cidade e me dedicar aos pés de alface: é uma solução covarde demais. Prefiro mudar o que consigo tocar em vez de sair correndo de medo. É pouco, mas é o que posso. Esse não é um discurso moralista, por mais que pareça. É somente uma dúvida muito particular: onde estão as pessoas do mundo? Porque bonecos articulados de plástico, eu vejo todos os dias na televisão e em festas. Mas gente, daquelas que choram, contam piada, têm medo da morte e olham pra você e não por você, eu não encontro assim tão fácil. Talvez eu esteja no supermercado errado.

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